Golinho
Hoje tomei um golinho de amor; pedi sem açúcar.
Senti o gole quente enchendo minha boca, salivei.
A quantidade pequena me foi suficiente:
sabor de saudade, de alegria, de tristeza.
Eu ri...
No primeiro gole já sentimos
algo diferente agindo no corpo.
Sentei, olhando as árvores iluminadas
pelo sol de uma manhã de outono.
Será que era tão lindo como eu o via?
Ou já era o efeito da bebida?
As folhas verdes embaladas pelo vento,
mexendo-se, dançando;
ouvia o som, sentia nos poros
o toque macio do vento.
Estava tudo muito bom, tudo bem.
Pedi mais um gole.
Quem disse que um só é suficiente?
Não sei.
Tem gente que não bebe.
Tem gente que só bebe e não dá de beber.
Tem gente que a gente bebe
e tem gente que bebe a gente.
Tem gente que só dá de beber
a quem está morrendo de sede,
por dó ou misericórdia.
Tem gente farta de tanto beber
e gente que bebe demais,
até ficar desacordado.
Eu quero goles quentes, breves,
mas sem açúcar.
Quero sentir o sabor de um amor purinho
e degustar
um dia de cada vez.
Senti o gole quente enchendo minha boca, salivei.
A quantidade pequena me foi suficiente:
sabor de saudade, de alegria, de tristeza.
Eu ri...
No primeiro gole já sentimos
algo diferente agindo no corpo.
Sentei, olhando as árvores iluminadas
pelo sol de uma manhã de outono.
Será que era tão lindo como eu o via?
Ou já era o efeito da bebida?
As folhas verdes embaladas pelo vento,
mexendo-se, dançando;
ouvia o som, sentia nos poros
o toque macio do vento.
Estava tudo muito bom, tudo bem.
Pedi mais um gole.
Quem disse que um só é suficiente?
Não sei.
Tem gente que não bebe.
Tem gente que só bebe e não dá de beber.
Tem gente que a gente bebe
e tem gente que bebe a gente.
Tem gente que só dá de beber
a quem está morrendo de sede,
por dó ou misericórdia.
Tem gente farta de tanto beber
e gente que bebe demais,
até ficar desacordado.
Eu quero goles quentes, breves,
mas sem açúcar.
Quero sentir o sabor de um amor purinho
e degustar
um dia de cada vez.
(Abril de 2020)





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