Amor Perfeito


Plantei uma muda de amor perfeito.
Demorou a brotar.
Na verdade, nem brotou.

Choveu, molhou,
o gato da casa nem respeitou
a muda que crescia lentamente.

O frio matou
uma mudinha que crescia discretamente.
As outras, o sol não permitiu que crescessem.

A muda de amor perfeito, não vi.
Não nasceu.

Não sei qual dos erros impediu
que as mudas nascessem.

Será que foi a semente?
A terra mal irrigada?
O tempo que dispendi no cuidado?
O tempo que não dispendi?

Será que a muda nasceria
em outras condições climáticas,
ou com outro tipo de adubo?

Será que para alguém esta muda nasceu?
Alguém que plantou diferente, talvez,
em um vaso grande,
ou pequeno,
ou colorido,
ou caro…

Nem sei se esta flor existe!
Eu nunca vi.

Troquei de sementes.
Não é mais amor perfeito…

Desta vez,
é mais realista,
propensa a crescer
em condições reais.

Condições que se adequem
a meu modo de vida,
ao tempo que posso dispor;
as caixinhas recicladas
que me são acessíveis usar;
a possível escassez de sol,
poucas irrigações diárias.

Chamo a muda de amor real.

Às vezes dispenso a palavra amor.

(Outubro, 2020)

Pintura: O beijo - Gustav Klimt


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