Educação como (des)prazer
Nesta fuga, assustada, de eros (celebrado na Antiguidade, como elemento fundamental no despertar da curiosidade e desejo de criar, diante da amada figura do mestre) há na escola moderna, a curiosa ação de mecanismos repressivos, em que o seu oposto surge como sintoma.
A relação persecutória entre professor e aluno. Os conhecimentos tidos como sagrados, imprescindíveis e indispensáveis para a captura absoluta do outro, promovida pela figura onipotente e terrivelmente iludida, do professor. Nesta angustiada busca pelo controle de elementos reprimidos de sua própria "personalidade", a manipulação sádica do outro, surge como descarga possível, dos tensionamentos que a educação sem prazer, provoca.
Logo, um dos aspectos essenciais do desejo de aprender, é sufocado, pelo afã compulsório por ensinar, como dever.
Quando a escola obriga a criança a deixar do lado de fora do portão seus afetos e interesses através de um ensino que passa ao largo de sua vida, para não lhe proporcionar mais que uma atividade intelectual idealizada, faz da educação uma adaptação, e da criança a educar, o objetivo da projeção de um ideal. E do conhecimento, mais uma dentre as camisas de força adaptativas, com as quais o adulto tenta dominar e aprisionar a criança (BACHA, 1998, p. 189).
REFERÊNCIA
BACHA, M. (1998) Psicanálise e Educação. Laços refeitos. Campo Grande, MS: Ed. UFMS; São Paulo, SP: Casa do Psicólogo.





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