Rousseau e o comum
Uma de suas críticas mais incisivas recai sobre a sociedade burguesa e a propriedade privada, que ele considera a raiz da desigualdade. Para Rousseau, a propriedade privada gera competição e interesses egoístas, corroendo os laços de solidariedade e cooperação. Ele argumenta que a propriedade não apenas desfigura a sociabilidade do “homem natural”, mas também cria uma estrutura de dominação, onde o burguês, proprietário, exerce controle sobre os demais. Essa dinâmica transforma a liberdade proclamada em uma ilusão, aprisionando indivíduos em uma rede de opressões que perpetua desigualdades através da concentração de riqueza, poder e honra.
Rousseau aponta a "servidão voluntária" como um problema fundamental, onde a linguagem da liberdade é manipulada para justificar a exploração. As instituições criadas sob o pretexto de proteger direitos individuais na verdade perpetuam opressões, enquanto o orgulho e amor próprio estabelece hierarquias que oprimem os menos favorecidos.
Em "O contrato social", Rousseau propõe uma nova organização social que promova igualdade e liberdade reais, onde indivíduos renunciam a direitos privados em favor da coletividade, formando um corpo político unificado. A vontade geral, que representa os interesses comuns, se torna a lei suprema que orienta a comunidade humana.
No entanto, isso levanta a questão da subordinação da vontade individual à vontade geral. Rousseau argumenta que a verdadeira liberdade reside na submissão voluntária à lei que o próprio sujeito político estabelece.





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