Como é
Como é difícil pular no abismo,
sentir outra vez o vazio preenchendo
os vastos
espaços
em
mim.
Como é cruel voltar os olhos a mim mesmo
e perceber-me,
silencioso.
Como é doloroso abrir os olhos
e descobrir o quanto
as alucinações pareciam reais.
Os rios, embora belos, não matam a sede.
Os beijos, tão sinceros em aparência.
Os corpos, enganosamente sensíveis.
O gozo, sempre impossível, ilusório, fantasmático.
E o desejo...
não sei de quê!
Como é injusto querer amar ardentemente
e, num lapso, numa distração,
produzir vertiginosamente
o objeto
de amor —
que no fundo
era pó e cinza,
como eu.
sentir outra vez o vazio preenchendo
os vastos
espaços
em
mim.
Como é cruel voltar os olhos a mim mesmo
e perceber-me,
silencioso.
Como é doloroso abrir os olhos
e descobrir o quanto
as alucinações pareciam reais.
Os rios, embora belos, não matam a sede.
Os beijos, tão sinceros em aparência.
Os corpos, enganosamente sensíveis.
O gozo, sempre impossível, ilusório, fantasmático.
E o desejo...
não sei de quê!
Como é injusto querer amar ardentemente
e, num lapso, numa distração,
produzir vertiginosamente
o objeto
de amor —
que no fundo
era pó e cinza,
como eu.
(Outubro, 2020)





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