Se tu interessa-me
Não quero saber se tu sabes,
se desenrolas poemas abaixo dos olhos
com avidez.
Não me interessam os teus acúmulos
em bibliotecas interiores.
Ou se o tempo te entregara vastas experiências,
e se os corpos que em ti se entrelaçaram
deixaram marcas de existências
com as quais construíste
um saber sobre a vida.
Não me cativa esse afã de espírito,
essa astúcia em brincar com palavras,
com páginas recheadas,
se desenrolas poemas abaixo dos olhos
com avidez.
Não me interessam os teus acúmulos
em bibliotecas interiores.
Ou se o tempo te entregara vastas experiências,
e se os corpos que em ti se entrelaçaram
deixaram marcas de existências
com as quais construíste
um saber sobre a vida.
Não me cativa esse afã de espírito,
essa astúcia em brincar com palavras,
com páginas recheadas,
fraseologias ruminadas
por mestres e mestras.
Interessa-me demasiado,
cativa-me,
aguça-me os sentidos
saber se tu sangras como eu sangro.
Se teus olhos marejam ao ver a beleza fugaz,
e teu sorriso se esconde ao colher
lancinantes lembranças que surgem
de repente
nas esquinas
ao fitar coisas singelas.
Me interessa entender
como tua dor aparece
e como teu gozo
transborda.
Se tu, ao avistares um amor,
abres o peito e o preparas
para sangrar novamente.
Se tu foste alvo de setas
que te atravessaram.
Se tu sentiste dores árduas
e que aos gaguejos as pronuncias.
E se teu amor morreu
tantas e tantas vezes.
Interessa-me saber se há em ti
obscuridades inconfessáveis.
Se nas noites lúbricas,
a fera que há em ti
desvanece.
Se tu enfrentas o desprezo
com um sorriso torpe.
Se tu insultas o bom gosto
e cospes na face
daqueles que cultivam
bons modos,
morais,
por mestres e mestras.
Interessa-me demasiado,
cativa-me,
aguça-me os sentidos
saber se tu sangras como eu sangro.
Se teus olhos marejam ao ver a beleza fugaz,
e teu sorriso se esconde ao colher
lancinantes lembranças que surgem
de repente
nas esquinas
ao fitar coisas singelas.
Me interessa entender
como tua dor aparece
e como teu gozo
transborda.
Se tu, ao avistares um amor,
abres o peito e o preparas
para sangrar novamente.
Se tu foste alvo de setas
que te atravessaram.
Se tu sentiste dores árduas
e que aos gaguejos as pronuncias.
E se teu amor morreu
tantas e tantas vezes.
Interessa-me saber se há em ti
obscuridades inconfessáveis.
Se nas noites lúbricas,
a fera que há em ti
desvanece.
Se tu enfrentas o desprezo
com um sorriso torpe.
Se tu insultas o bom gosto
e cospes na face
daqueles que cultivam
bons modos,
morais,
supostas;
nobrezas em causa própria.
Provoca-me
saber se tu amas ainda,
se há coragem em ti
para destruir ligeiramente os muros que construíste,
ao ver o amor que chega.
Se as fortalezas se despedaçam
ao ouvir
o canto doce
e feroz
que trepida o corpo.
Se tua coragem insensata
te expõe ao risco
de mais uma vez
arder.
Interessa-me avidamente saber
o quanto tu, despida,
desejas ainda.
Amas ainda.
E sofres ainda.
Morres ainda.
E vives ainda.
Se tu rasgas as cerimônias
como rasgas teu peito
e
vem
nobrezas em causa própria.
Provoca-me
saber se tu amas ainda,
se há coragem em ti
para destruir ligeiramente os muros que construíste,
ao ver o amor que chega.
Se as fortalezas se despedaçam
ao ouvir
o canto doce
e feroz
que trepida o corpo.
Se tua coragem insensata
te expõe ao risco
de mais uma vez
arder.
Interessa-me avidamente saber
o quanto tu, despida,
desejas ainda.
Amas ainda.
E sofres ainda.
Morres ainda.
E vives ainda.
Se tu rasgas as cerimônias
como rasgas teu peito
e
vem
(Novembro, 2025)





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